NOTÍCIAS

Provedor da Santa Casa leva ao Cascais International Health Forum uma visão integrada para a longevidade

Paulo Sousa, provedor da Santa Casa

Paulo Sousa, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, apresentou no Cascais International Health Forum uma reflexão sobre um dos grandes desafios do nosso tempo: garantir que o aumento da longevidade se traduz em mais anos de vida com saúde, autonomia, participação e dignidade.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa marcou presença no Cascais International Health Forum 2026, que decorreu nos dias 24 e 25 de setembro, no Centro de Congressos do Estoril, através da participação do seu Provedor, Paulo Sousa. Sob o tema “Viver Mais, Viver Melhor”, o encontro reúne decisores, líderes institucionais, profissionais de saúde, investigadores, empresas e organizações para debater os desafios que a longevidade coloca à saúde, à proteção social, à economia e à organização das sociedades.

Na sua intervenção, intitulada “Mais Anos, Melhor Vida: O Grande Desafio da Longevidade Saudável – Colocar a Pessoa no Centro dos Cuidados do Futuro”, Paulo Sousa apresentou uma reflexão particularmente alinhada com a missão da Santa Casa: responder às diferentes vulnerabilidades ao longo da vida através de uma abordagem que articule saúde e ação social e mantenha cada pessoa no centro das decisões.

Partindo da longevidade como uma extraordinária conquista coletiva, o Provedor da Misericórdia de Lisboa chamou a atenção para a dimensão do desafio demográfico português. Em 2025, 24,3% da população tinha 65 ou mais anos, colocando Portugal entre os países mais envelhecidos da União Europeia. A questão essencial, sublinhou a apresentação, é por isso transformar os anos adicionais de vida em anos com saúde, autonomia e dignidade.

A intervenção evidenciou a posição singular da Santa Casa perante esta transformação. A Instituição acompanhava, a 23 de setembro, 111.869 utentes ativos, sendo particularmente significativa a presença de pessoas nas idades mais avançadas, nas quais tendem a concentrar-se situações de fragilidade, dependência e necessidade de respostas integradas.

É precisamente esta realidade que reforça uma das principais mensagens levadas por Paulo Sousa ao Fórum: saúde e ação social já não podem ser pensadas separadamente. Uma pessoa pode enfrentar, em simultâneo, problemas de saúde, perda de autonomia, isolamento, dificuldades económicas ou habitacionais e necessidade de apoio aos cuidadores. Responder de forma eficaz implica, por isso, integrar respostas e assegurar continuidade ao longo de todo o percurso.

Nesse contexto, o Provedor da Santa Casa destacou a orientação da SCML para cuidados de maior proximidade, capazes de favorecer a permanência das pessoas no seu contexto habitual de vida, preservar a independência e prevenir situações de dependência evitável. Entre os exemplos apresentados esteve o Projeto RADAR, assente na identificação e acompanhamento de pessoas mais velhas em risco de isolamento ou solidão não desejada, mobilizando famílias, vizinhos, comércio local, farmácias, voluntários e instituições.

Também a tecnologia foi apresentada não como substituto da dimensão humana dos cuidados, mas como instrumento para reforçá-la, através de soluções como teleassistência, monitorização remota, prevenção do risco, apoio aos cuidadores e coordenação profissional.

A apresentação traçou ainda uma visão clara para a evolução das respostas da Santa Casa: passar de intervenções tardias e episódios isolados para um modelo capaz de antecipar riscos, acompanhar continuamente, preservar a autonomia e construir percursos integrados.

Uma transformação que passa também pela própria organização da Instituição, aproximando saúde, ação social, reabilitação, centros de dia, apoio domiciliário, cuidados continuados e saúde mental num percurso centrado na pessoa, e não nas estruturas que prestam cada resposta.

A dimensão da parceria ocupou igualmente um lugar central. Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social, Misericórdias, IPSS, autarquias e universidades foram apontados como parceiros essenciais para enfrentar um desafio que nenhuma instituição consegue resolver isoladamente. Como sintetizou a apresentação, “O desafio da longevidade não se resolve criando mais fronteiras. Resolve-se construindo pontes.”

Com uma apresentação sustentada em dados e na experiência concreta da Santa Casa, Paulo Sousa levou ao Cascais International Health Forum uma visão em que prevenção, proximidade, inovação e integração convergem para um mesmo objetivo: colocar a pessoa no centro dos cuidados e garantir que viver mais significa, efetivamente, viver melhor.

Uma ideia sintetizada na mensagem final da sua intervenção: “A nossa responsabilidade coletiva é garantir que mais anos signifiquem também uma vida melhor.”